Beta Autores
Tumblr destinado à divulgação de autores realmente muito bons, mas pouco reconhecidos.
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Te percebo nos espaços vazios da minha mente,

E com a razão já dormente,

Te leio nas minhas poesias,

Como o salgado do mar e cheiro de falsa maresia. 

Te vejo na parede, na janela, no teto,

E já procuro minha sanidade vencida,

Ao passo que inutilmente te espero,

Molhada pela praga da chuva fria.

Te escuto nas minhas músicas preferidas,

Vejo teu fantasma em cada velha fotografia,

E meu coração devastado a cada vã filosofia.

E torço inutilmente para sua caixa de calmante estar vazia,

Por que era eu,

Eu sozinha,

Que queria te passar morna calmaria,

A qual, convenhamos,

De nada adiantaria. 

Heloísa

 

Mal posso esperar
pra te conhecer, Heloísa;
mal espero pra ver
quem você vai ser.

Como será teu sorriso, menina?
Será que se parece com o meu?

Em pensar
que parte do que você
vai se tornar
depende de mim…

Quem será 
que serei eu?

Serei bom pra você?
Será que serei teu herói?
Ou um amigo,
ou talvez, um abrigo.

Mal posso ver a hora
de proibir a coca-cola,
de te levar até á escola.
Ah, pequena senhora…

Como será?
Quem será?
Há muitas dúvidas

mas o que há
é o que é
e o que será,
nascerá;
Heloísa.

João, 60 Mil Anos

Envenena sua alma
com aquilo que te come
pelas beiradas e inteiro
antes que o amor
te consuma primeiro.

Ciclo

Para não maldizer o passado,

te digo:

bolor já foi amor.

Café Em Londres

“Sentados em uma confortável cadeira ao redor duma pequena mesa na área externa da Starbucks, apreciando um delicioso café preto originalmente brasileiro. Sentindo o leve frescor da brisa fria, comum nas manhãs londrinas e recordando os bons momentos da nossa amizade.

Dois anos já se passaram desde o nosso reencontro fora do Brasil e tudo ainda parece novo. A cada dia que acordo ainda sinto a fantasia juvenil se realizando e uma nova vida começando. Parece impossível acreditar que nossos planos deram certo e a felicidade finalmente bateu à porta. Mas aqui estamos nós: Dois jovens, 25 anos, classe média alta, tomando um maravilhoso café da nossa terra, que é estranhamente mais saboroso que o ‘’ original ‘’.
Você, um excelente e reconhecido artista das palavras e da música, despojado e estiloso… Eu, um cara de negócios, engomado e chato, que vive na correria de Londres, e saltitando por diversos países à procura de mais algum bom negócio prestes a ser fechado, que definitivamente mudará minha vida.
Mas não são apenas as nossas conquistas profissionais que me fazem sorrir quando acordo, e sim o fato de saber que nossa amizade sobreviveu todos esses anos, a todas dificuldades, e  ao longo tempo que passamos separados devido a faculdade. Esse sim é meu maior orgulho, o orgulho de ter conseguido uma vez na vida manter algo deveras importante pra mim: A amizade de um irmão que estará sempre ao lado, não importando quantos oceanos nos separe.” 

Escrito e mandado a mim por: Yago Oliveira dos Anjos, meu amigo mais próximo e um dos poucos que eu chamo de irmão. 

Sempre escolho bem as pessoas que quero carregar comigo pela vida e acabo acertando. Você passou tantas coisas comigo. Tantas vezes já sorriu. Tantas vezes já chorou. Tantas vezes já me fez sorrir e na mesma intensidade me fez chorar. Quantas vezes eu chegava pra você totalmente desolado e perdido, e só no ato de conversar eu já me sentia melhor. Quantas vezes você já me ajudou com coisas diversas. Lembra que eu sempre disse que seria se eu tivesse um irmão de sangue criado comigo? Eu queria isso pela relação que eu tenho com você. Só pra saber como seria ter crescido com alguém como você do meu lado pra me apoiar. Meu amigo irmão. Meu gêmeo de mãe diferente.

Sincera e emocionadamente: Lucas da Conceição Luiz.

Amor Sintomático.

Eu abracei seu fantasma,
senti teu perfume na casa,
cheguei a poder tocar a falta.

Bebi lembranças,
na voz botei nuances,
na mente enfeitei lances,
com os olhos treinei bastante,
as expressões do reencontro.

Com as mãos lembrei teu contorno,
nos lábios senti o teu gosto,
nas pernas senti o seu compasso,
no passo que chegavas perto.

De ti aproximando o coração aberto,
na sede de te ter novamente,
de ser novamente completo,
repleto de incerto,
tateando o ar
como cego.

É que a saudade minha querida,
me sentiu esses tempos,
me segurou como cativo,
deixando-me em perigo,
nessa tempestade
sentimental,
fico irracional,
sumo nesse
precisar.

É que de mim emana,
toda semana sem controle,
esses sintomas de abstinência,
de drogado sentimentalista.

Nesse amor automático,
nesse amor sintomático,
você é minha única
chance de me curar.

Traga para mim,
a droga lenitiva,
do seu amar.


— Rafael Mont’Vero.

Quimera No. 15

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© Imagem “O descanso da modelo”
Artista: José 
Almeida Junior
Data: 1882
Técnica: Óleo sobre tela
Localização: Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil
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“poesias não podem ser prosas”


dizem que essa geração será a última geração de poetas,
dizem que será o fim da poesia!
               [e serei eu um desses últimos poetas?]

nos séculos XVII, XVIII e XIX, a poesia representava dez por cento dos textos escritos no mundo. E, atualmente, representam pouco menos de três por cento…

e há quem diga que a métrica regular é o atraso,
[que é um mero modelo para poetas miseráveis
[como se houvesse algo de miserável em usar um modelo…]
                    dizem que é para poesia antiquada!
                           acredita nisso?! Antiquada!
                                     outros ainda dizem quadrada!
                                                                         qua-dra-da!!
                                           [como se isso fosse mesmo um problema…
                                                         [só acho que seja se for demais
                                                         [e não creio que hoje seja mais…]
há quem diga que o destino da poesia é se tornar prosa!
mas há quem diga muita coisa!
há religioso de todo tipo que insiste em prever um final dos tempos,
                                                             e ele sempre há de estar próximo!
pois eu digo que o fim da poesia não está próximo!
a morte da poesia
é a morte da musicalidade da língua!
                       [não acredito que ela exista em si mesma nas cifras…
                                                     [cifras dependem de instrumentos
                                       [a poesia não!
[as palavras são já instrumentos de poesia…
                                 [instrumentos e notas]

e eis cá os poetas da nova geração!
e eis cá os últimos de nossos tempos,
                                                       [ou não…]
         cá alguns deles que preferem ser tradicionais
e            alguns           que preferem ser mais modernos do que nunca!
                    mas eles todos são modernos, isso é certo,
                                                                              [mesmo os “tradicionais”]
chamo de tradicionais esses mais dançantes
                                         e também os que são sonetistas -
                                                         simétricos demais aos minimalistas -
                            e os dançantes? esses são chamados de primitivos!
               porque os poemas dançantes são mais marcados e rítmicos
                                          [duma forma um tanto quadrada… não nego…
                                                                            mas poesia é poesia
                                                         e o importante é que ela esteja viva!]

porque
poesia é viva [ou deveria]
            é musical
            é
poesias não podem ser mortas!
poesias não podem ser prosas!
              não!
             não importa o quão metrificadas elas são,
                                                                desde que vivam!
                      [e nem importa o tanto que elas gostem de dançar
                  [hoje em dia os adultos não dão mais muita bola para isso,
                                              [mas muitas crianças gostam sim de dançar!]
e o que ela deve é ser viva
                                     viva de música
                                       de musicalidade viva
                             [viva de sentido,
                                               [pois poesia não é caduca!
                                                                   [não! -
                                                    [devemos dar mais ouvidos às crianças!
                                                    [e a poesia é como uma criança
                                                    [que brinca com as palavras, mas
                                                    [sabe muito bem o que diz!
                                                    [e é por isso que merece ouvidos!
[não se ouve crianças só por ficarem bonitinhas quando falam ou gesticulam,
 [não, seria um erro esperar tão pouco
 [delas…]
                                    viva a poesia!
e viva junto com elas,
                                    viva!
e não significa que não podem se relacionar com os adultos!
não, podem sim haver prosas poéticas
e poéticas prosas,
só não podem as poesias virar prosas!
não, isso não,
poesias não podem ser mortas!
              não!
- o erro de alguns modernos é querer que elas amadureçam,
                                                            poesias são crianças!
                                                      são esperanças de um mundo novo! -
                                        poetas, não deixem que elas cresçam!
poesia é mais viva
            é até mais do que a pura infância
            é
poesia não pode ser morta!
poesia não pode ser prosa!
             não, poesia não é só expressão,
                                           é musical, é viva
                                                                        é
                                                                            viva a poesia!
                                                                                       poesia viva!
                                                                                                    vi-va!
deixem que as crianças dancem
                                       e brinquem, poetas,
                                          brinquem,
                                          brinquem com essas crianças,
façam delas, quimeras,
             belas quimeras,
                e dialoguem elas com os adultos,
                                           [adultos também aprendem a ser criança!]
                   façam prosas poéticas,
mas deixem elas livres, libertas,
eduquem também, mas não eduquem demais!
cuidem para não forçar as suas vestes,
não caducar a suas mentes inocentes,
cuidem para não forçá-las nas métricas!
cuidem para não matá-las educando-as ou fazendo-as muito adultas!
não deixem que elas cresçam cedo, não,
deixem que floresçam na infância!
as poesias não podem ser mortas!
as poesias não podem ser prosas!
                   não podem se achar o que não são!
                   não podem ser prosas!
                   não podem!
                   não!


Vitor Costa

Espiralterapia

image

.

Jogue seus problemas na espiral

E veja se resistem

Veja se são profundos.

.

Chegue hiperbolicamente na espiral

E reflita se concluir

Reflita se conseguir.

.

Pense e mastigue seus problemas

Até chegar ao fim

Até chegar a nada

No fundo da espiral

Da espiralterapia.

.

(Rodrigo Martins, 17/11/2012) Imagem

Chegue até o fim da loucura. Mas não de qualquer loucura. Da minha loucura. Como os cientistas tentam descobrir a partícula de deus e compreendem que o imprevisível nem é matéria. Como os crédulos aguardam a redenção, espere-me. Eu sou a faísca de um incêndio premeditado. Eu me curvo, ergo, cedo e complico porque sou eu em todos os instantes e em nenhum. Quando o tempo falta e quando se adianta, só pra me ver passar. Não me veja passar. Não me deixe passar. Porque se o mar apaga as letras nas areias, é porque um dia o oceano vira poesia. Mas se eu passo, eu vou, não volto, eu fico por entre as pedras, encostas, rochedos, esperando um pouco de paz. Eu quero a paz de um rio que não tomou banho. Do sol que não tocou o rosto de quem nasce no momento que ele dorme. Das estrelas que descansam e lutam dentro de nós, porque a luz não se prende. Me diz em que esquina seus olhos param. Me fala em que estação sua mente viaja porque eu fico aguardando o apito, o sinal, o aviso e acabo não te vendo sair, se deixando, me largando, esquecendo que eu te lembro, apesar dos pesares. Apesar do meu peso, do meu fardo, da minha sina em não querer auxílio. “Não precisa (…) Mentira, preciso sim”. Eu preciso não sabendo precisar. Não sabendo como dizer que isso tem que ser meu, possesso, egoísta, excêntrico. Você é o Carnaval que eu não pulo, mas é o abismo cheio de blocos carregados de saudade que me faz sentar e me arrepender. Quando me perguntam se eu me arrependo de algo que fiz na vida, eu digo que me frustro pelo que não fiz. Eu não te faço, não te desenho, não te formo. Você ainda escuta a minha voz miserável e o meu grito pobre? Eu não tenho riqueza nem nos dedos nem no timbre. Eu achei ouro não no final do arco íris, mas no início dos seus cílios grandes e dos seus olhos pequenos. Eu gosto do seu domingo com cara de sexta. E do seu sábado com mania de janeiro. Queria dizer que meu agosto foi triste, até, e que em julho, além do frio, eu me mantive quente. Eu não sei o número do seu sapato, da sua calça e nem sei se aquele na minha agenda ainda serve. Mas eu juro que te ligaria depois de voltar da faculdade. Mesmo odiando telefones. Mesmo odiando teu sono ou tua insônia que não te deixam sarar. Você é a nicotina que não fumo. O vinho que gelou e eu tenho medo de inflamar a garganta. Você é essa doença crônica que cessa hoje e retorna amanhã. Eu não tenho receita para os seus desesperos. Você não tem medida para a minha dimensão. Eu não coube na forma porque as grades não me suportam. Eu sou livre, mas eu ainda posso pousar em algumas janelas. Tira os trincos e não faz barulho. A ferrugem grita porque o óleo que escorre do peito é o silêncio que a gente esconde. 

Errar não deveria ser tão humano

Eu sei que peguei o beco perigoso. Soube disso desde que vi o primeiro corpo dilacerado no chão. A cena do crime deveria ter me assustado, mas pobre de mim que me achava valente, resolvi seguir em frente pensando que aquela não seria minha realidade. Não tinha como ser diferente. Se na entrada do caminho eu vi a morte, só deveria ir adiante se quisesse morrer também - eu não queria, mas cada ato me contradizia. Um ridículo demagogo. 

Eu percorri toda aquela estrada crendo que no fim alguma coisa daria certo, mania do ser humano esperar o inverso da lei da gravidade. Se me foi comprovado que o que sobe cai, eu não deveria estar crente no contrário.
E tudo bem, aqui estou eu. Finalmente no final do trajeto: ontem me peguei reclamando por estar onde estou… Veja bem, como eu podia ainda duvidar do resultado da minha má escolha? A vida me avisou no inicio que decerto aquilo não era o que eu queria, mas por preguiça ou devaneio continuei seguindo e me atrai pelo abismo mais uma vez.

Andrei

(Mais uma) Pessoa

 

Sóbrio de sossego sigo pelos outeiros da vida.
Mais uma sombra perdida, um ser sem reflexo.
a vida perde o nexo com a procura da certeza.
Ganha-se a incerteza de não se saber se se existe
quando se apercebe da pobre alegria deste mundo… tão triste

Demagogia poética

Não sinto o que escrevo, logo não escrevo o que sou: não por falta de vontade, ou por não saber descrever mas pelo simples fato de não condizer comigo. Posso ser o que eu faço, mas não é disso que falo. Não finjo sempre o que escrevo, mas sempre finjo o que sou.

A Iliterata

Imprevisível

Era muito frágil.

Tinha fascínio pelo obscuro, mas o temia.

Era incompreendida, mas não se rebelava como os outros incompreendidos.

Apenas ficava só, na dela.

Refletindo sobre tudo a sua volta, nunca em si mesma.

Era ambiciosa, mas tinha medo de realizar seus desejos.

Nunca soube o porquê, nunca teve argumentos a altura.

Sentia-se presa, mas ao mesmo tempo livre em pensamento.

Sentia-se triste, mas carregava um sorriso no rosto.

Ninguém saberia dizer se era verdadeiro ou não.

Ninguém a conhecia de verdade.

Nem ela mesma.

Era imprevisível.

De uma excêntrica  imprevisível.

Expirando

À poesia entrego tudo

Mas o vocabulário delimitado,

As palavras insuficientes

Não mostram e não sentem

Só transmitem

Há algo maior aqui

Nessa casa chamada eu

Feita de ventos uivantes

Vindos do horizonte

Há aqui o alívio

Há em mim o universo

Há por mim

O ser e o verso

-Isabelle, a vida é um balão-

puritano

 

Num toque de três dedos,
requinte e sabedoria,
veio a carta de uma moça:
dona de minha alegria.

Na carta - escrita a mão -,
sentia-se alma e coração;
que aqueceram este corpo
que já se sentia morto.

Papel branco, caneta preta, e,
cheia de curvas delicadas.
Seguia bela, aquela letra,
exalava carinho, a minha amada.

Continha mil cheiros:
àquele perfume doce, e
o rosa, ao meio,
indagava: ouse!

Como lírios a exclamar
pela noite, minha flor,
vou remeter, sem temor,
convidando-a para amar.